Nossa História

O atendimento aos pacientes portadores do vírus HIV no Distrito de Saúde de Sapopemba iniciou em outubro de 1991, fundamentalmente pela percepção do aumento da demanda na região de abrangência desse Distrito. Na época, esta região possuía 400.000 habitantes e os casos de AIDS compreendiam 5.4% das notificações no município de São Paulo. Junto ao Conselho de Saúde do Jardim Elba e ao Grupo de Apoio `a Vida, foi constatada pela equipe do Distrito de Saúde de Sapopemba, a necessidade de criar um serviço que atendesse a essa demanda.

A equipe técnica era constituída inicialmente por 1 clínico geral, 1 psicóloga e 1 assistente social, que realizavam os atendimentos em uma única sala cedida no mesmo prédio onde funcionavam o Ambulatório de Especialidades e o Distrito de Saúde de Sapopemba.

A partir da oferta do serviço, a demanda cresceu significativamente. Na verdade era uma demanda reprimida, que estava deslocada em outro serviço de atendimento aos portadores HIV (CRTA- Programa Estadual DST/AIDS). Em julho de 1992 aconteceu a municipalização da saúde na cidade de São Paulo. Foi quando este trabalho embrionário surgiu como um serviço especializado independente, a Unidade de Atendimento DST/AIDS – UADA, com prédio próprio, tendo suas instalações físicas e recursos humanos ampliados. Desde seu início, este serviço tinha como finalidade acompanhar o paciente desde a soro-conversão, quando possível, até o estágio final da doença, como também ser um centro que criasse e difundisse informações para toda a comunidade, assim como ações educativas. Inicia-se também o atendimento no hospital-dia em 1992.

Aos poucos o atendimento foi sendo ampliado, com maior número de profissionais de várias especialidades. Em fevereiro de 1994 começa o atendimento da Pediatria, voltado para crianças portadoras do vírus bem como para filhos de portadores, mesmo sem o diagnóstico de HIV+.

O ano de 1996 é um marco importante na Saúde Pública na região de Sapopemba. Com a implantação do PAS aconteceram mudanças significativas no atendimento da rede pública. Na UADA, essa implantação trouxe funcionários removidos por não concordarem em fazer parte das cooperativas do PAS. Apesar do impacto que esta mudança acarretou nas Unidades de Saúde, o maior número de funcionários alterou, de forma importante, o perfil do trabalho na UADA (hoje denominada Centro de Referência em DST/AIDS "Herbert de Souza - Betinho"), com a perspectiva de melhoria no potencial da qualidade do trabalho que já vinha sendo feito.

Com a intenção de incrementar o trabalho com os portadores do vírus HIV, a equipe do C.R.. foi dividida. Equipes de atendimento domiciliar, de prevenção e de projetos e pesquisa foram criadas para sistematizar e potencializar o alcance de nossas intervenções, além do atendimento ambulatorial , de hospital-dia e da vigilância epidemiológica que já faziam parte da rotina. Estamos desde então, empenhados em continuar com um serviço de qualidade para o portador do vírus HIV e de outras DSTs, mesmo com as dificuldades encontradas nas últimas administrações da Prefeitura. Para tanto, contamos com 87 funcionários atuando nas várias equipes e em seus respectivos projetos, que viabilizam o que entendemos como sendo o atendimento integral a este paciente.

Em 1996 a chegada do coquetel de drogas anti-retrovirais, distribuído gratuitamente pelos serviços de saúde, também altera o quadro até então estabelecido. É um marco importante na história da epidemia, uma vez que a partir do coquetel mudou-se a forma de encarar a patologia e a qualidade de vida do doente de AIDS.

PROJETOS E INTERVENÇÕES

ATENDIMENTO DOMICILIAR

Existe o atendimento domiciliar terapêutico para os pacientes impossibilitados de se locomoverem até o ambulatório ou em fase crítica da doença. Este serviço conta com uma pequena equipe composta por enfermeira, auxiliar de enfermagem, assistente social e médico, e presta atendimento no domicílio do paciente, além de orientar o cuidador do mesmo. Este trabalho, além de ser mais confortável para a família e para o paciente, pode, em alguns casos, evitar períodos de internação.

PREVENÇÃO EM DST/AIDS

A equipe de prevenção tem como principal meta atingir a comunidade não usuária do ambulatório com ações de caráter educativo e de orientação. Desde 1996 esta equipe vem promovendo oficinas de prevenção em DST/AIDS no espaço do C.R. "Herbert de Souza - Betinho".

A partir deste trabalho, ampliou-se o alcance destas ações educativas. Foram criadas oficinas de prevenção em algumas escolas da região, inicialmente voltadas para alunos de 5ª a 8ª séries, e depois para os professores, objetivando que os mesmos funcionem como multiplicadores destas intervenções sobre sexualidade e prevenção em DST/AIDS; e oficinas no Centro de Juventude Daniel Comboni, voltadas para os adolescentes e monitores do C.J.. Destas oficinas, nasceu o grupo Caça-Ação que tem como principal objetivo formar agentes multiplicadores de ações de prevenção, que utilizam o teatro como forma de divulgar as informações sobre o tema.

Outra frente do trabalho da equipe de prevenção foi realizada com as detentas do 69º D.P, solicitado pela Pastoral Carcerária de Sapopemba. Teve como principal objetivo reduzir a vulnerabilidade às DST/AIDS entre estas detentas, através de tratamento adequado e de orientações educativas.

Outras intervenções importantes realizadas por esta equipe são o trabalho com os freqüentadores da alfabetização de adultos da região, a intervenção feita com as mulheres das Frentes de Trabalho que tem como objetivo principal estimular e fortalecer atitudes de proteção frente a epidemia, propiciando espaço para reflexão sobre a vulnerabilidade.

Também para o próximo ano continuará o trabalho junto a algumas creches da região, visando sensibilizar os profissionais para a aceitação de crianças portadoras e favorecer a prevenção de DST/AIDS entre a população da creche.

PROJETOS E PESQUISA

A partir do conhecimento das particularidades da população usuária deste serviço e da sua região de abrangência, é que podemos sistematizar nosso trabalho de forma um pouco mais precisa. Daí a idéia de se criar uma equipe voltada para nortear o atendimento e para a produção científica a partir da prática de atendimento diário.

A equipe de projetos e pesquisa desenvolveu desde 1996 alguns trabalhos voltados para o conhecimento do perfil do usuário do C.R.."Herbert de Souza - Betinho". A análise da situação dos pacientes matriculados desde o início em 1991 traz uma contribuição significativa para o aprofundamento da discussão das características próprias da região de Sapopemba e das particularidades da epidemia aqui.

Esta equipe também participa como colaboradora em alguns projetos de outras equipes do C.R.. Desde 1998 estamos trabalhando a adesão ao tratamento junto a equipe clínica. Com a chegada do coquetel de drogas anti-retrovirais, notamos que existe a necessidade de integrarmos um pouco mais as várias especialidades de atendimento oferecidas ao paciente, objetivando atingir de forma satisfatória a adesão ao tratamento e particularmente, a adesão à medicação. O primeiro passo para esta integração foi dado na reformulação do prontuário elaborado por esta equipe junto a cada setor do serviço, visando maior facilidade de acesso a história do paciente.

Os projetos da equipe de prevenção e de outras equipes do serviço também são permeados pelo trabalho da equipe de projetos e pesquisa.

UMA NOVA POSSIBILIDADE

Este ano foi criada, e já está em funcionamento, a Associação dos Funcionários do Centro de Referência em DST/AIDS "Herbert de Souza -Betinho". Um dos objetivos desta Associação é angariar recursos para agilizar o funcionamento do Centro de Referência. A falta de recursos materiais de consumo simples (como copos descartáveis para uso dos pacientes, por exemplo) poderá ser sanada através desta Associação, bem como outras dificuldades de recursos físicos e materiais encontradas diariamente, que impedem o bom andamento do trabalho. É objetivo desta Associação também viabilizar a possibilidade de recebimento de doações que possam melhorar a qualidade do atendimento oferecido por este Centro de Referência.

 

São Paulo, dezembro de 2000.

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